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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Os Mistérios de Eleusis

“Feliz é o mortal que presenciou os Mistérios Eleusínios. Abençoados são seus olhos que os viram, pois após a morte a jornada da sua alma será diferente daqueles que não foram iniciados.”
Homero


texto de Mirella Faur

Os Mistérios Eleusínios constituem o segredo mais bem guardado do mundo antigo. Originários de Creta como um festival de outono dedicado à deusa Deméter e reservado somente às mulheres, eles foram expandidos e abertos a todas as pessoas se fossem adultas, falassem grego e não tivessem cometido nenhum crime. Iniciados na metade do segundo milênio a.C., os Mistérios Eleusínios perduraram por quase dois milênios sem que ninguém revelasse nada a respeito dos rituais e das iniciações. O pouco que se sabe foi divulgado pelos comentários literários, pelas referências históricas ou nas difamações cristãs sobre as práticas pagãs.

A palavra Eleusis simbolizava “O lugar da chegada feliz” e deu origem ao termo “Campos Elísios”, sinônimo do paraíso pré-helênico. A palavra Mistério tem como raiz a palavra mueín, que significa “fechar”, tanto os olhos quanto a boca, ressaltando a obrigatoriedade do segredo e do isolamento durante a iniciação.

Os candidatos deveriam primeiramente submeter-se a uma iniciação durante os Mistérios Menores, realizados na proximidade do equinócio da primavera, para poder participar dos Mistérios Maiores, realizados na proximidade do equinócio de outono. Desconhece-se a verdade sobre esta iniciação, sabendo-se apenas que incluía testes de coragem e práticas ascetas.

Os Mistérios Maiores eram celebrados a cada cinco anos e tinham duração de nove dias. Os candidatos chegavam a Atenas vindos de todas as partes do mundo helênico e romano. No primeiro dia, reuniam-se para atender às chamadas dos sacerdotes e receber suas instruções. No segundo dia, purificavam-se mergulhando no mar e fazendo as primeiras oferendas (leitões). O terceiro dia era dedicado às cerimônias e oferendas oficiais em benefício da cidade de Atenas e do povo grego. No quarto dia, conhecido como Asklepia, novas purificações eram feitas em homenagem a Asclépio, o deus da cura. No quinto dia, dava-se início à procissão que percorria os 32 km que separavam as cidades de Eleusis e Atenas. As sacerdotisas carregavam os objetos sacros, purificados no mar, em grandes cestos chamados Kista. Os iniciados vestiam túnicas brancas e cantavam, dançavam e invocavam as divindades, cujas estátuas eram levadas em carruagens.

Nos limites da cidade de Eleusis, figuras mascaradas encenavam parte do mito de Deméter expondo, por meio de sátiras e deboches, os vícios, erros e defeitos humanos. Dessa forma, esperava-se que os velhos Eus morressem e dessem lugar à renovação. Ao cair da noite, o jejum de três dias terminava e havia uma grande festa do lado de fora do Santuário. O sexto dia era reservado ao descanso, à purificação, ao jejum, à introspecção e ao silêncio.

Quando as primeiras estrelas apareciam no céu, os iniciados tomavam o Kyklon, bebida sagrada preparada com centeio fermentado e hortelã, e entravam no santuário de Telesterion. Desconhecem-se os rituais ali praticados. Sabe-se somente que havia três estágios: a iniciação, em uma gruta subterrânea, em que os iniciados passavam por provas e testes; a morte simbólica, em que os iniciados “renasciam”, sem mais temer o fim da vida física por terem “visto” a continuidade de jornada da alma; e a encenação do mito de Deméter e Perséfone. Nesse momento, reproduzia-se a busca de Deméter por sua filha Perséfone, raptada por Hades, deus do mundo subterrâneo, festejando-se, ao final, sua volta à vida na Terra, após os rigores do inverno simbolizando sua ausência.

O final das celebrações era marcado pelo sacrifício de animais, celebrando com danças e cantos o último gesto ritualístico dos sacerdotes: o derramamento de água sobre o chão, invocando a chuva para conceber a vida na terra. Esse ato simbólico revelava o profundo simbolismo dos Mistérios de Eleusis – o casamento sagrado da chuva celeste com a terra fértil e receptiva para conceber o filho, representado nos grãos dos cereais. Para os iniciados, que viviam da terra e de seus ciclos e estações, os Mistérios representavam a confirmação sagrada de que a morte era seguida do renascimento, assim como a vegetação morria no outono e renascia na primavera, acordando de um sono profundo, por vezes comparado à própria morte.

imagem: Goddess Card Pack by Juni Parkhurst

Adaptando o mito de Deméter e Perséfone à nossa realidade, podemos melhor compreender a necessidade dos rituais de iniciação. Ao proporcionarem a visão dos medos, limitações e defeitos que restringem a evolução de nossa alma, os rituais apontam para a possibilidade de uma morte egóica que levará a uma renovação transcendental. As mulheres podem encontrar no mito de Perséfone um exemplo de coragem para descer ao mundo subterrâneo de seu inconsciente, atravessar as sombras e emergir para a luz.


Fontes das imagens
http://revradiotowerofsong.org/9schoolofthenight.html
http://landofgoddesses.wordpress.com/2012/02/17/

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Elêusis


Os mistérios de Elêusis (também conhecidos como mistérios eleusinos) eram ritos de iniciação ao culto das deusas agrícolas Demeter e Perséfone, que se celebravam em Elêusis, localidade da Grécia próxima a Atenas. Eram considerados os de maior importância entre todos os que se celebravam na antiguidade. Estes mitos e mistérios se transferiram ao Império Romano e sinais dele podem ser notados em práticas iniciáticas modernas. Os ritos e crenças eram guardados em segredo, só transmitidos a novos iniciados.
Deméter e sua filha, Perséfone, (Ceres e Proserpina para os romanos), presidiam aos pequenos e aos grandes mistérios. Daí seu prestígio. Muitos desses mistérios ainda não foram totalmente desvendados; no entanto, no grande complexo de templos de Elêusis, notadamente no grande Templo de Deméter, o Telesterion, os estudiosos têm descoberto esculturas e pinturas em vasos que representam alguns desses ritos.
Os mistérios eleusinos celebravam o regresso de Perséfone, visto que era também o regresso das plantas e da vida à terra, depois do inverno. As sementes que ela trazia significavam o renascimento de toda a vida vegetal na primavera.
Se o povo reverenciava em Deméter a terra-mãe e a deusa da agricultura, os iniciados viam nela a luz celeste, mãe das almas e a Inteligência Divina, mãe dos deuses cosmogônicos. Os sacerdotes de Elêusis ensinaram sempre a grande doutrina esotérica que lhes veio do Egito. Esses sacerdotes, porém, no decorrer do tempo, revestiram essa doutrina com o encanto de uma mitologia plástica, repleta de beleza.

A doutrina da vida universal
O ritual dos Mistérios de Elêusis encontrava expressão na lenda da deusa Deméter e sua filha Perséfone, raptada por Hades (Plutão), rei do Mundo Inferior, quando colhia flores com suas amigas, as Oceânidas, no vale de Nisa. Deméter, ao tomar conhecimento do rapto, ficou tão amargurada que deixou de cuidar das plantações dos homens aos quais havia ensinado a agricultura. Os homens morriam de fome, até que Zeus (Júpiter), que havia permitido a seu irmão Hades raptar Perséfone, resolveu encontrar uma forma de reparar o mal cometido. Decidiu, então, que Perséfone deveria voltar à Terra durante seis meses para visitar sua mãe e outros seis meses passaria com Hades.
O mito simboliza o lançar sementes à terra e o brotar de novas colheitas, uma espécie de morte e ressurreição. No seu sentido íntimo, é a representação simbólica da história da alma, de sua descida na matéria, de seus sofrimentos nas trevas do esquecimento e depois sua re-ascensão e volta à vida divina.
O mito de Elêusis ainda se encontra vivo hoje nas diversas escolas Iniciáticas que ainda persistem: É a Doutrina da vida Universal, que se encerra no simbólico grão de trigo de Elêusis, que deve morrer e ser sepultado nas entranhas da terra, para que possa renascer como planta, à luz do dia, depois de abrir caminho através da escuridão em que germina.
Fonte: Wikipédia

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