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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Funcionamento da Tenda do suor


A cosmologia Lakota se manifesta no desenho da construção e funcionamento da Onikaghe (Tenda do Suor) utilizado no Inipi, o rito de purificação.
Eles empregam todos os poderes do universo: a Terra e tudo o que dela nasce, o fogo, a água e ar para construir um espaço sagrado. Uma cabana em forma de iglu, coberta com cobertores que compõem o ventre do Cosmo e da Mãe Terra. Os salgueiros que formam a armação são colocados no solo, de modo que indicam as quatro direções do universo, desta forma, no conjunto da cabana está o universo inteiro como uma imagem, protegendo todas as pessoas bípedes, quadrúpedes e alados ,todas os coisas do mundo. É um lugar de oração, portanto, um Templo. A onikaghe sempre é construída com a porta para o Oriente, pois dali vem a luz da sabedoria.  A dez passos de distancia, se constrói um local sagrado chamado Peta Owihankeshni "Fogo sem fim", e ali se aquecem as pedras que representam a Avó Terra, de onde vêm todos os frutos e também a natureza indestrutível e eterna do Grande Espírito .
O altar central da tenda para onde serão levadas as pedras quentes é o centro do universo, em que habita o Grande Espírito, com o Seu poder, o fogo. Ele é construído, cavando um poço no centro da cabana, ao seu redor é traça um círculo com uma tira de couro. Com a terra demarcada traça-se um caminho que leva para fora da tenda na direção Leste, cujo na extremidade se levanta um um montículo. Em cima das pedras são colocadas as ervas aromáticas e a água, produzindo um vapor abundante, que faz com que as pessoas que estão no seu interior possam transpirar. A palavra Inipi deriva do Lakota "Iniunkajaktelo", que significa: vamos rezar para a tenda do suor. Sentar-se ao redor das Avós e dos Avôs Pedras, é estar no ventre da Mãe Terra e no centro do cosmos, para receber a cura e a purificação.
Os ramos de salgueiro formam a estrutura da cabana, eles são colocados formando duas cruzes de quatro direções e uma tem sua cor associada à estas direções, que por sua vez representam os 16 grandes mistérios de Wakan Tanka, o criador do universo, que governa através de várias divindades, eles são todos os aspectos do seu ser:

Wi
Sol
Portador da luz, calor e vida, agrega valor à vida e generosidade.
Skan
Movimento
A força e a energia que nos move
Maka
Terra
A avó, que nos nutre.
Inyan
Rocha
A natureza eterna do criador, a mais antiga.
Hanwi
Lua
Representa os ciclos da vida, o sobrenatural das mulheres.
Tate
Vento
Controla as estações  e vigia  o caminho que conduz ao mundo espiritual, o pai dos quatro ventos.
Unk
Conflito
Pai do Mal
Wakinyan
Pássaro do Trovão
Senhor da tempestade, é o espírito que cria eletricidade.
Tatanka
Bisão
O irmão do índio, o que dá saúde, alimentação e vida.
Tob Tob
Urso
Traz a medicina das ervas, o  amor e a coragem.
Wani
Quatro direções.
Controla o tempo, mensageiro do sagrado.
Yummi Wi
Deusa do mar
Restabelece o equilíbrio, amor, esporte, jogo, energia feminina.
Niya
Espírito
Essência da respiração vital da pessoa. Ele veio das estrelas.
Nagi
Alma
Habita nos seres humanos, nos animais, nas pedras, nas árvores e nos rios.
Sichum
Espírito Guardão
Poder inato que habita em cada homem e  cada mulher.
Yummi
Redemoinho de vento
O imaterial, o órfão que nunca nasceu,  redemoinho de vento, o pequeno redemoinho, o mensageiro travesso do sobrenatural.
Nota: De acordo com fontes, pode haver pequenas variações nesta lista.



As quatro linhas verticais que cercam a tenda, simbolizam os quatro mundos, o mineral, o vegetal, o animal e o humano, a última vara que é entrelaçada no teto com todos os 16 ramos verticais, forma uma estrela de oito pontas, representando os planetas e o universo.

Desta forma, a tenda simboliza toda a criação e o ventre sagrado da nossa Mãe Terra em cujo umbigo, se colocam as pedras avós, sábias possuidoras do código genético da história do nosso planeta.

Ao entrar no ventre de nossa Mãe, nós retornamos para a inocência da criança. Humildemente se  espera que estas pedras sejam colocadas na tenda. São feitas orações para que a antiga sabedoria ancestral dos avôs e das avós, juntamente com o poder de fogo, limpem e curem os corpos e almas, em uma atmosfera de silêncio e reverência.

O dirigente deste ritual de purificação agora entra na tenda, sozinho com seu Calumet (Cachimbo da Paz). Vira-se na direção do movimento do Sol e senta-se no lado Oeste, em seguida consagra a parte central, que torna-se um altar, colocando nele algumas lâminas de tabaco. Pega uma brasa que foi colocada no centro, o oficiante deste ritual então queima a erva aromática, esfrega o fumo em todo o seu corpo e, em seguida, passa em seus pés, cabeça e nas mãos, o cachimbo de fumaça para se purificar. Deste modo, tudo está consagrado, caso haja alguma má influência dentro da tenda, ela será removida pelo Poder do fumo. Com o Calumet carregado, o oficiante deixa a tenda, movendo-se para o lado Leste.

A Medicina do Urso que tinha sido espalhada sobre as pedras, começa a surtir efeito, a tenda é preenchida pelo aroma da sálvia, do cedro, do alcaçuz e do incenso, continuando o trabalho de limpeza, desbloqueando os túneis obscuros da mente e as emoções, libertando as energias pesadas do mundo. Em seguida, quando se entra na água, toda a  vida flui, fecha-se a porta e começa um ritual.

Pedindo permissão às quatro direções, o céu, a terra e ao coração, começam-se os cânticos e as orações. Água começa a tocar as pedras e uma grande nuvem de vapor invade o recinto dentro da mais absoluta escuridão, trazendo uma sensação de paz e imensidão aos participantes. 

Orando com o coração, dando graças e pedindo o que precisamos para melhorar nossas vidas e a dos outros seres. São  feitos quatro círculos, abrindo a porta quatro vezes para colocar mais pedras. Em cada círculo se invoca uma direção: na primeira para o Oeste, o lugar de mistério, onde o sol se põe, onde o guerreiro espiritual aprende a caminhar sem medo, reconhecendo seu lado obscuro, lá ele recebe a orientação e o aconselhamento do Urso e da Coruja, que lhe ensinam as táticas necessárias para transitar por esses caminhos.

A segunda porta Norte, oferece a força e a sabedoria do Búfalo que dá sustentação a vida, onde residem os Seres Trovão. Na terceira porta Leste, entregue a Águia, que fornece a luz e a clareza para que se possa agir em harmonia com o Espírito. No quarta e última porta ao Sul, é o lugar da Inocência e da Compaixão, onde são oferecidas as lições do Rato. Os jogos, a alegria e a diversão.

Os participantes saem da tenda purificados após terem se conectado com o Grande Espírito através de uma cerimônia, onde Ele se manifesta fazendo-se sentir todo o seu poder.


Fontes:
O Cachimbo Sagrado. Os Sete ritos sagrados. Black Elk (Hehaka Sapa, Sioux - Black Elk em Inglês).
http://www.bowdoin.edu/ ~ ndenzey/re101/galleries/native-am.html http://mx.groups.yahoo.com/group/Metafisica/message/16179

Texto original em espanhol publicado em:

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Povo Lakota: sua bandeira, música e linguagem

imagem: Pine Ridge Flag - Autor: Himasaram

Os textos abaixo foram extraídos de artigos publicados em inglês, tentei traduzi-los pelo Google e é claro que alguma coisa ficou perdida nesse tipo de tradução.
Abaixo de cada texto estão os links para as versões originais.
Tentando achar alguma coisa em português, para que o texto não ficasse tão sem sentido, acabei encontrando um blog muito interessante chamado"Atlantis Burnama Kumara" que explica um pouco sobre a linguagem deste povo "y otras cositas más", vale a pena visitar.
Boa leitura!

ATUALIZANDO:
Hoje dia 7 de Janeiro, recebi (via email) de Thunna Burnama , autor do blog "Atlantis Burnama Kumara", duas correções com relação à grafia e o significado de duas palavras: 
1.Thióšpaye ( lê-se aproximadamente "t'ri'ósh'paie", que significa: divisão de uma tribo, clã, comunidade, uma pequena turma de pessoas ou um grupo sob um chefe. "thi" = verbo viver, morar, ter morada; "ošpaye" = um grupo, um grupo fragmentado (separado de toda a tribo ou do chefe).
Também quer significar: uma espécie de animal ou uma companhia de soldados.
2.Hóčhoka (lê-se aproximadamente "Ró'tchoka". que é a área interior do círculo em campo (não há a letra "c" em Lakota, apenas o " č " que se lê "stch" e o "čh" que se lê "tch". 
A palavra para dizer círculo, uma roda, aro, arco, argola é " Čhaŋgléška" (lê-se aproximadamente "Tchan'glésh'ka". Há uma variante: " Očháŋgleška", cuja acentuação tônica é diferenciada: "Otchán'glêska".

A bandeira é composta por oito tipis (tendas) brancas, cada uma delas representa um dos oito distritos em que os sete thiyošpayes ( de thi, 'morar' e  ošpaye, "um grupo,um grupo fragmentado (separado de toda tribo ou do chefe" ) dos Oglala Lakota quando se estabeleceram em Pine Ridge, no final do século XIX. 
As tipis (tendas) estão dispostas em Hóčhoka* (área interior do círculo em campo) é um símbolo que representa a continuidade e a unidade o fundo vermelho também é uma cor sagrada.
É apenas um pequeno pano simples com um desenho simples, porém cheio de significado, orgulho, fé e esperança.



Usada pela primeira vez em 1961, esta bandeira foi aprovada pela Sioux Oglala Triba OST Council em 9 de Março de 1962, como a bandeira oficial dos Sioux Oglala Tribe (OST).
O círculo de oito tendas na bandeira representam os nove municípios da reserva:
Porcupine,
Wakpamni,
Medicine Root,
Pass Creek,
Eagle Nest,
White Clay,
LaCreek,
Wounded Knee e
Pine Ridge.  
O campo vermelho representa o sangue derramado pela tribo em defesa de suas terras e faz uma referência alegórica ao termo "homem vermelho", pelo qual foram chamados os americanos europeus. O azul* representa o céu, como pode ser visto em todas as quatro direções cardeais durante o culto do Grande Espírito, e os elementos. Ela também representa o conceito espiritual Lakota do céu como "campo de caça" para onde partiram os membros da tribo. 
*Não sei onde está o azul na bandeira, enfim é o que consta no texto.


Hóčhoka*
Na filosofia Lakota, o modo de vida das pessoas comuns e de todas as coisas espirituais estão dentro do círculo. O povo Lakota ensina a seus filhos, netos e as gerações futuras que tudo está dentro do círculo sagrado, o Hóčhoka.
imagem: Sacred Circle

clique no link para ouvir os samples



inks utilizados nesta postagem:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Pine_Ridge_Flag.svg
http://lifeconsulting.multiply.com/journal/item/92?&item_id=92&view:replies=threaded
http://1onewolf.com/lakota/index.htm
http://www.bsu.edu/eft/indian/p/pop_cycles.htm
http://www.amazon.com/Prayer-Songs-People-Hocoka/dp/B002FOG0U8
http://atlantisburnamakumara.blogspot.com/p/kitala-lakhotiyapi.html
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