"O 13 é tido como a dúzia do diabo, e o número do azar. A sexta-feira 13 é considerada simplesmente como um dia ruim. Encontramos explicação para essa má fama na Bíblia.
Nela, o fim do mundo começa no capítulo 13 do Apocalipse; sobretudo, também, Jesus era o décimo terceiro em meio aos seus discípulos e morreu numa sexta-feira.
Como por trás de todo tabu esconde-se algo sagrado, encontramos também por trás desse número de azar desprezado um significado profundo.
Esse significado torna-se claro se imaginarmos o 12 como uma roda com doze raios ilustrando o decorrer do ano no Zodíaco e os discípulos de Jesus.
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| imagem: Cúpula do batistério Ortodoxo |
O 13 seria, então, o centro, o ponto mais importante e que a tudo une, o lugar que Cristo ocupa. Se esse ponto for percebido compreendido e a ele for dada a devida atenção, ele simboliza a força transformadora, que por meio do sacrifício de um, possibilita a salvação do todo.
Para isso é necessário olhar para o centro de si mesmo e encarar a morte de maneira consciente. Na medida em que nos afastamos da morte e a reprimimos, o 13 passa a ser um símbolo de algo desagradável. Nós nos afastamos de nós mesmos e não olhamos mais para o centro do círculo. Com isso, o número perde sua força unificadora e salvadora, o centro parte- se, e suas mil partículas parecem - em linguagem figurativa - um holograma, repetido por toda parte como a posição extremamente desagradável de décima terceira, na qual se encontram os infelizes e rejeitados, os azarados e os menosprezados da sociedade. Certamente eles também se sacrificam involuntariamente pelo bem do todo, mas isso não é compreendido nem por eles mesmos, nem pela sociedade, e muito menos reconhecido, valorizado ou apreciado.
Embora se afirme ocasionalmente que o significado negativo do 13 tenha surgido apenas no século passado, existem pistas do seu papel infausto desde a Antiguidade. Os babilônios já chamavam o décimo terceiro mês dos anos bissextos de "corvo de mau augúrio" e os chineses o chamavam de "o senhor da aflição". O 13 possui, também nos contos de fadas, um significado de perigo: a intrusa décima terceira fada, ou a décima terceira porta, que não deve ser aberta de maneira alguma. Também o fato de a décima terceira cartas dos Arcanos Maiores do Tarô ser A Morte, é um sinal de uma velha ligação entre esses dois temas. E a sexta-feira 13? Esse dia é consagrado a Freya ou, em sua correspondência romana, a Vênus.
Por ambas serem personificações de uma feminilidade prazerosa, a sexta-feira 13 era, certamente, uma dia de alegria nos tempos antigos, e somente depois, em culturas solares, passou a ser difamado como um dia de azar. A partir daí, passou-se a não mais considerar o Cristo como o décimo terceiro no centro dos doze, mas a associar esse número nocivo a Judas, o traidor, fato que, por sua vez, tem um interessante paralelo no mundo dos deuses germânicos. Nele, o ladino Loki, o décimo terceiro deus, traiu Baldur, o deus da primavera, levando-o a morte.
As pesquisas sobre o matriarcado partem do princípio de que o 13 era inicialmente uma número sagrado, que somente depois do surgimento dos valores do patriarcado foi condenado, difamado e temido. Uma confirmação disso são os indícios de que os antigos calendários eram lunares, segundo os quais, até os dias de hoje, são calculadas a maioria das festas judaicas, cristãs e muçulmanas.
No calendário lunar, contudo, o ano possui treze meses, e no último deles o sol "morre" no solstício de inverno.
Em culturas que vivenciam o tempo de uma maneira cíclica, no constante ciclo de nascimento e morte, isso não oferece nenhum problema, pois o jovem Sol renasce no dia seguinte. A partir do momento em que a consciência de tempo linear se impõe nas culturas patriarcais, onde há um começo e um fim absoluto, esse final é, obviamente, vivenciado a cada vez como uma coisa terrível. E, pelo fato de as culturas patriarcais preferirem o princípio constante do Sol à instável Lua, a morte aparente do astro principal torna-se uma catástrofe.
Que o 13 desempenha um papel-chave como número mágico em círculos ocultos, e não representa necessariamente um mau augúrio para os que o trazem consigo, pode ser observado no emblema nacional dos Estados Unidos : o "Grande Selo", que pode ser visto em toda nota de 1 dólar.

Ele mostra uma águia que com a sua garra esquerda segura treze flechas e com a direita treze folhas, enquanto treze estrelas brilham por sobre sua cabeça em forma de pentagrama, e seu escudo é ornamentado por treze listras.
A piramide no lado de trás do grande selo possui treze degraus. Supostamente, tudo isso tem relação com treze estados fundadores.
Por ninguém mais querer ficar no 13º lugar, esse número é deixado de fora até mesmo nos tempos esclarecidos de hoje. Hotéis não têm o décimo terceiro quarto, nem andar, trens não têm o vagão número 13 e aviões não possuem um fila de assentos com este número. Somente quando se trata de dinheiro é que a superstição atinge rapidamente o limite.
Eu não conheço ninguém que tenha recusado a receber o seu 13º salário."
(Texto de Hajo Banzhaf - Simbolismo e significado dos números)
PARA REFLETIR
A ignorância é vizinha da maldade.